O Queer Lisboa terminou a 26 de setembro com um resultado que resume bem a 30.ª edição: La Gradiva, primeira longa-metragem de Marine Atlan, recebeu simultaneamente o Prémio de Melhor Longa-Metragem e o Prémio do Público. Não é apenas mais um nome numa lista de vencedores. Quando júri e espectadores convergem, o filme passa a ocupar um lugar particular na memória de um festival.

Uma vitória em duas frentes

O palmarés oficial identifica La Gradiva, uma coprodução França-Itália de 2026 com 145 minutos, como vencedora da competição de longas. O júri destacou a viagem de um grupo de adolescentes a Nápoles e a forma como a obra cruza formação de identidade, pertença e instabilidade emocional. Na mesma noite, o público escolheu exatamente o mesmo filme.

Essa coincidência é factual e pouco comum: o prémio do júri resulta de uma deliberação profissional; o do público nasce dos votos de quem esteve nas sessões. Um não valida automaticamente o outro, mas a dobradinha mostra que a obra conseguiu funcionar tanto para quem avalia cinema como profissão como para quem chegou à sala para ver uma história.

O festival bateu também o seu próprio recorde

A organização anunciou mais de 11.500 espectadores ao longo de nove dias e 67 sessões no Cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa. Segundo o festival, foi um crescimento de 53% face a 2025 e a edição mais concorrida da sua história. Esse número dá contexto ao Prémio do Público: não veio de uma edição residual, mas de um ano em que o Queer Lisboa atingiu a maior assistência de sempre.

O resultado também atualiza o nosso balanço dos 30 anos do Queer Lisboa: já não estamos apenas a falar da longevidade do festival, mas de um aniversário que terminou com crescimento mensurável de audiência.

O palmarés foi mais amplo do que uma longa

Na competição de documentários, Corren las Liebres, de Lorena Ros, venceu Melhor Filme. O programa do festival atravessou ficção, documentário, arquivo, animação, juventude, identidade trans, histórias lésbicas e experiências queer de vários países. Isto importa porque um festival queer não funciona como um género cinematográfico único; funciona como um espaço de programação onde formas muito diferentes se encontram.

A história continua depois do encerramento

A organização marcou para 1 de outubro, às 19h30, na Garagem da Vizinha, em Lisboa, uma sessão gratuita com uma seleção das curtas vencedoras. O Queer Porto está igualmente confirmado para 3 a 7 de novembro. Ou seja, o encerramento de Lisboa não fecha o calendário: desloca a atenção para novas sessões e para outra cidade.

Se queres explorar cinema queer para lá dos títulos premiados, a nossa lista de cinco filmes queer para começar a descobrir o género é um ponto de partida diferente: aí a lógica é recomendação; aqui, o ponto é perceber o que aconteceu concretamente no palmarés de 2026.

Fonte: Queer Lisboa — palmarés oficial da 30.ª edição.

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