Em Guimarães, por volta das 3h30 de 27 de setembro, três artistas drag que tinham participado na Marcha do Orgulho LGBTQIA+ foram, segundo a Comissão Organizadora da Marcha do Orgulho de Guimarães (COMOG), perseguidas por cinco indivíduos quando se dirigiam para o carro que as levaria ao hotel.
A denúncia surge poucos dias depois da Marcha LGBTQIA+ de Guimarães de 2026, realizada no sábado, 26 de setembro. O desfile tinha começado às 15h00 junto ao coreto da Alameda de São Dâmaso e percorreu várias ruas do centro antes de regressar ao ponto de partida.
A perseguição atravessou três pontos do centro de Guimarães
De acordo com o comunicado da COMOG, a perseguição começou na Viela da Arrouchela, continuou pelo Largo Condessa do Juncal e terminou na parte norte da Alameda de São Dâmaso. A organização afirma que, durante o percurso, foram dirigidos às artistas insultos de teor homofóbico.
Um dos cinco indivíduos terá ainda retirado a mala a uma das artistas, revistado o seu conteúdo na via pública e abandonado os pertences. A mala e os restantes objetos foram depois recuperados por um elemento da equipa de produção.
A descrição é relevante porque situa o episódio fora do recinto e já depois do programa público da marcha: não se tratou de um confronto durante o desfile, mas de uma perseguição denunciada quando três participantes abandonavam a zona e se preparavam para regressar ao hotel.
PSP foi chamada e o grupo seguiu acompanhado até ao hotel
Segundo a COMOG, testemunhas e um elemento da organização alertaram a PSP. Uma das artistas terá sofrido uma crise de ansiedade durante o episódio e o grupo acabou por ser levado em segurança até ao hotel.
A comissão organizadora afirmou também que apoiará as artistas na formalização da queixa e que colaborará com as autoridades na identificação e responsabilização dos envolvidos. As notícias publicadas até ao momento descrevem os cinco indivíduos como não identificados.
O caso foi noticiado por vários órgãos regionais e nacionais. O 41N refere que a ocorrência foi reportada à PSP de Guimarães e reproduz a posição da organização sobre o acompanhamento às artistas.
A denúncia acontece depois de um alerta feito antes da marcha
O episódio ganha um contexto adicional porque a própria COMOG já tinha, antes da marcha, alertado publicamente para aquilo que descreveu como um aumento de violência e de insultos dirigidos à comunidade LGBTQIA+.
O Dezanove refere que esse alerta foi feito a 25 de setembro, um dia antes do desfile. Após a ocorrência, a organização associou os insultos ouvidos na perseguição ao mesmo tipo de mensagens que diz ter encontrado nas caixas de comentários de notícias sobre a marcha.
Esta ligação entre hostilidade online e um episódio denunciado no espaço público é uma afirmação da organização, não uma conclusão policial. Até existir informação oficial adicional sobre a investigação, é importante manter essa distinção: os factos conhecidos são os que constam do comunicado, das testemunhas citadas e das notícias que deram conta da intervenção da PSP.
De uma marcha pública para uma madrugada marcada pelo medo
A edição de 2026 tinha levado novamente a Marcha do Orgulho LGBTQIA+ ao centro de Guimarães. O percurso anunciado passava pela Alameda de São Dâmaso, Toural, Rua de Santo António, Rua Gil Vicente e Rua Paio Galvão, terminando novamente junto ao coreto.
A denúncia relativa às artistas drag altera inevitavelmente a leitura das horas que se seguiram ao evento. Três participantes que tinham estado numa iniciativa pública de visibilidade LGBTQIA+ acabaram, segundo a COMOG, a percorrer parte do centro da cidade sob perseguição e insultos até à intervenção policial.
Para quem acompanha a realidade LGBTQIA+ no Minho, este caso não substitui o que aconteceu durante a marcha, mas acrescenta uma questão concreta sobre segurança depois do evento. O artigo anterior do ChatGay.pt sobre a marcha de Guimarães em 2026 fica agora com um desenvolvimento posterior que merece ser registado separadamente.
A COMOG resumiu a sua posição numa frase que passou a acompanhar a denúncia: “A vergonha tem de mudar de lado”. A organização afirma que continuará a apoiar as artistas e a colaborar com as autoridades.
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