A bissexofobia raramente aparece apenas como uma frase abertamente hostil. Também pode surgir quando alguém trata a bissexualidade como uma fase, exige “provas” ou presume que a pessoa deixou de ser bi porque está numa relação com um homem ou com uma mulher.

Mito 1: “É só uma fase”

Não há fundamento para tratar a bissexualidade como uma etapa obrigatória antes de uma pessoa se definir como gay ou heterossexual. A APA reconhece diferenças específicas na experiência de pessoas bi+ e chama a atenção para a binegatividade e para situações em que estas pessoas podem não sentir pertença plena nem em comunidades de minorias sexuais nem em contextos heterossexuais. Consulta as orientações profissionais da APA.

Mito 2: “Se estás com um homem, és gay; se estás com uma mulher, és heterossexual”

O estado civil ou o género do parceiro não apaga uma identidade. Uma relação atual descreve uma relação atual. Não funciona como um teste retroativo de orientação sexual.

Mito 3: “Bissexualidade significa atração 50/50”

A letra “bi” não obriga a uma matemática de atração. Pessoas bissexuais podem ter padrões de atração diferentes ao longo da vida e podem ter preferências, contextos e relações distintas. O essencial é não transformar uma identidade num questionário de percentagens.

Mito 4: “Se ninguém sabe, não existe bissexofobia”

Existe investigação específica sobre invisibilidade, visibilidade e estigma bi+. Um estudo diário com 208 pessoas bi+ encontrou associações entre tentativas de visibilidade, afirmação da identidade e afeto positivo, mas também entre determinados contextos de visibilidade e experiências anti-bissexuais ou sensibilidade à rejeição. A conclusão útil não é “sair do armário sempre”; é que o contexto importa. Consulta o estudo no PubMed.

Mito 5: “A comunidade gay não pode ser bissexofóbica”

Pode. Preconceito não desaparece automaticamente quando muda o grupo de pertença. A própria APA recomenda que profissionais reconheçam a binegatividade internalizada e os preconceitos de pessoas não bissexuais. Isto também vale para espaços comunitários: uma pessoa bi não deve ter de provar que é suficientemente queer para ser respeitada.

O combate começa na conversa

A investigação também mostra que a visibilidade não é uma decisão sem custos. Num estudo com 715 pessoas bi+, diferentes estratégias de visibilidade estiveram associadas a experiências distintas de discriminação e saúde mental; o envolvimento comunitário apareceu associado a menor ansiedade em uma das análises. Vê os resultados no PubMed.

Combater a bissexofobia não significa obrigar ninguém a declarar a sua orientação. Significa tornar menos caro, socialmente, existir como pessoa bissexual — dentro da comunidade LGBTQIA+, na família, no trabalho e nas relações.

Lê também sobre o futuro da comunidade LGBT em Portugal.

Para enquadrar a discussão num contexto português, podes também consultar o panorama de comunidades LGBTQIA+ em Portugal.


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