Uma discussão sobre bissexualidade começa muitas vezes por uma definição. Uma exposição pode começar por outra coisa: nomes, imagens e obras que tornam visíveis pessoas habitualmente reduzidas a uma dúvida sobre com quem se relacionam.

Uma exposição com 210 fotografias

A terceira edição de Dar Visibilidade à Invisi.BI.lidade reuniu, segundo a organização, 210 fotografias de pessoas Bi+, além de textos, poesia, pinturas e desenhos. A iniciativa resulta da parceria entre ILGA Portugal, Bialogar e Bi Mosaic, dando continuidade às edições de 2024 e 2025.

No Centro LGBTI+, em Lisboa, o período anunciado foi de 23 de setembro a 24 de outubro de 2026. Este artigo olha para a proposta cultural depois dessa data; não anuncia uma exposição ainda visitável nesse local nem um prolongamento não confirmado.

Representação para além de uma explicação

A organização descreve o projeto como uma homenagem a ativistas, figuras históricas, celebridades e pessoas bissexuais+ em geral. Nesta edição, houve contributos de fotografia e arte enviados através de uma chamada aberta da Bialogar.

A leitura editorial que daí podemos retirar é simples: representar uma comunidade através de obras e percursos alarga a conversa. Para homens bissexuais, existe espaço para pensar identidade e memória sem transformar cada história numa obrigação de justificar a orientação sexual.

A acessibilidade também faz parte da visibilidade

A página oficial anunciou audiodescrição, encaminhamento em Braille para o respetivo código QR e textos digitais em inglês. Ao mesmo tempo, identificou condicionantes físicas do espaço, incluindo a ausência de casa de banho adaptada.

Publicar estas condições é relevante porque permite decidir com informação. Acessibilidade não deve ser presumida apenas por um evento se apresentar como inclusivo.

O que ainda não é possível concluir

Não há aqui um balanço de visitantes ou uma avaliação de mudanças de atitudes. O encerramento do período anunciado não demonstra, por si só, impacto social. O que está documentado é uma proposta cultural concreta, com contributos comunitários e recursos de acesso identificados.

Para acompanhar novas apresentações, consulta a programação da Bialogar e do Bi Fest. Evita reutilizar datas de Lisboa como se fossem o calendário de uma futura itinerância.



Outros artigos:

210 fotografias bi em Lisboa: o que fica depois da exposição

5 filmes queer essenciais para começar a semana

Bissexualidade em Portugal: mitos e invisibilidade

Queer Lisboa 2026: balanço dos 30 anos

Ativismo lésbico em 2026: porque a visibilidade é política