Bence Lakatos e Jozsef Vanyovszki casaram-se na Dinamarca em 2016, vivem como casal e querem adotar. Na Hungria, porém, o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é reconhecido como casamento e as regras introduzidas durante o governo de Viktor Orbán tornaram a adoção particularmente difícil para casais gay.
O caso concreto ajuda a perceber a regra
Segundo a Reuters, o casal tenta avançar com uma adoção desde 2021. Uma alteração legislativa de 2020 passou a exigir aprovação ministerial para certas candidaturas de pessoas solteiras, mecanismo que organizações e candidatos consideraram uma barreira à adoção por pessoas LGBTQ+.
Em agosto de 2026, Lakatos foi considerado apto para adotar como pessoa solteira. Para o casal, esse reconhecimento não resolve toda a desigualdade jurídica, mas muda algo essencial: o processo deixa de estar apenas bloqueado à partida.
União civil não é o mesmo que casamento
A Hungria permite uniões civis entre pessoas do mesmo sexo, mas não casamento igualitário. Isso cria diferenças práticas quando uma família tenta fazer algo que a lei associa ao estatuto conjugal, como adoção conjunta e reconhecimento automático de parentalidade.
É aqui que a história deixa de ser apenas sobre um casal. A forma como o Estado define “casal”, “pai”, “mãe” ou “candidato individual” pode decidir se duas pessoas que partilham uma vida conseguem ser reconhecidas juridicamente como a mesma unidade familiar.
O contexto político mudou em 2026
O novo governo de Péter Magyar começou a rever parte das políticas LGBTQ+ herdadas do período anterior. Em setembro apresentou também alterações à legislação que restringia conteúdos sobre homossexualidade e identidade de género. A adoção aparece, portanto, dentro de um processo político mais amplo — embora cada alteração tenha o seu próprio percurso legal.
Não é correto concluir que a adoção conjunta por casais gay já passou a ser automaticamente permitida. A notícia atual é mais limitada: um candidato que fazia parte de um casal gay foi considerado apto para adotar e o governo indicou vontade de rever barreiras anteriores.
O que distingue este debate do português
Portugal reconhece casamento entre pessoas do mesmo sexo e adoção por casais do mesmo sexo. Comparar os dois países ajuda precisamente porque mostra como direitos familiares não avançam todos ao mesmo ritmo dentro da União Europeia.
Para uma leitura sobre redes de pertença e suporte fora do núcleo familiar tradicional, podes ler como criar redes de apoio LGBT em Portugal.
Porque vale acompanhar o processo
A mudança pode ser medida em decisões concretas: quantas candidaturas avançam, se deixa de ser necessária uma autorização política especial, se passa a existir adoção conjunta e se os dois membros do casal obtêm reconhecimento parental. Até isso acontecer, a história de Lakatos e Vanyovszki é um sinal de abertura, não o fim do debate.
Fonte: Reuters, 18 de setembro de 2026.
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