Há uma ideia errada muito difundida: a de que a sala pública é o átrio e o privado é o destino, e que a conversa deve andar de uma para o outro o mais depressa possível. Quem funciona assim passa a vida a começar conversas que não duram.
A sala pública é um sítio para ser visto a falar
A vantagem da sala pública não é haver muita gente: é o teu texto ser lido por pessoas que nunca te iriam abordar diretamente. Uma resposta interessante a uma discussão que já estava a decorrer atrai mais atenção do que dez mensagens privadas enviadas a frio.
É também o único sítio onde se pode observar antes de participar. Cinco minutos a ler dizem o ritmo, o tom e quem está a falar com quem — informação que não existe em mais lado nenhum.
A desvantagem é simétrica: tudo o que escreves é lido por todos. Não é sítio para detalhes pessoais.
O privado serve para o que não interessa a mais ninguém
O critério é esse e não o grau de intimidade. Se o assunto interessa a três pessoas, mantê-lo na sala mantém a conversa viva para as três. Se interessa a duas, o privado é o sítio certo.
O erro clássico é pedir privado antes de haver assunto. «Passas ao privado?» sem mais nada é um convite sem conteúdo, e a resposta natural é perguntar para quê.
Ao contrário, um privado que continua um assunto concreto que estava na sala tem contexto à partida — e é aceite muito mais vezes.
A temática resolve o problema da apresentação
Numa sala por distrito, o que se tem em comum é a geografia, e a geografia não dá conversa. Numa sala temática, parte da apresentação já está feita à entrada: quem está numa sala de ursos, de maduros ou de amizades já disse alguma coisa sobre si só por lá estar.
Isso poupa a parte mais desconfortável da conversa, que é ter de declarar o que se procura antes de haver qualquer confiança.
Quando mudar, e quando não
- Da pública para o privado: quando o assunto deixou de interessar aos outros, não quando a conversa está a correr bem. São coisas diferentes.
- Do privado para a pública: raro, mas útil — se a conversa esfriou, voltar à sala evita o silêncio embaraçoso de um privado morto.
- Entre temáticas: livremente. Estar numa não impede de acompanhar outra.
- Nunca: insistir em privado depois de a pessoa manter a conversa na sala. Isso já é uma resposta.
Um privado não obriga a nada
Aceitar um privado não é aceitar nada além de conversar em separado. Não implica troca de fotografias, não implica encontro e não implica ficar até ao fim. Sair de um privado é fechar uma janela, e não deve explicação a ninguém.
A sala pública tem uma função que se subestima
É onde a comunidade existe enquanto grupo. Se toda a gente passar tudo para privado, a sala fica vazia — e uma sala vazia não atrai ninguém, o que faz com que fique mais vazia ainda.
Manter os assuntos gerais em público não é altruísmo: é o que garante que existe alguma coisa para onde voltar amanhã.
Para uma explicação do funcionamento geral, ver a página inicial do ChatGay.pt. Para apoio e comunidade em Portugal, a ILGA Portugal.
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