Um nick parece uma decisão de dois segundos e é, na prática, a única coisa que as outras pessoas conhecem de ti antes de leres a primeira mensagem. Tem de cumprir três funções que não se dão bem umas com as outras.

As três funções, e onde entram em conflito

  • Memória. Se ninguém se lembra do teu nick, começas do zero todos os dias.
  • Separação. Não deve permitir ligar-te ao que fazes fora dali.
  • Sinal. Idealmente diz alguma coisa sobre ti que sirva de pretexto para alguém falar contigo.

O conflito está entre a primeira e a segunda: o que é fácil de lembrar tende a ser o que já usas noutro sítio — e é exatamente isso que não deve acontecer.

O erro que anula tudo o resto

Reutilizar um nick que usas noutra plataforma associada ao teu nome verdadeiro. Um nick invulgar é praticamente um identificador único: escrito num motor de busca, devolve todos os sítios onde foi usado.

Não interessa que aqui não haja registo nem email. Se o nick é o mesmo do fórum onde apareces com o teu nome, a separação foi quebrada por ti, não pela plataforma.

O mesmo vale, com menos força, para combinações de nome e ano de nascimento. «Ricardo87» diz duas coisas verdadeiras sobre ti e ambas ajudam a estreitar quem és.

O que costuma funcionar

  • Uma palavra concreta sem relação contigo. Objetos, lugares imaginários, palavras invulgares. São fáceis de lembrar e não apontam para lado nenhum.
  • Referências culturais. Um filme, um livro, uma banda. Funcionam como sinal — quem reconhece tem logo assunto.
  • Curto. Duas a doze letras. Nicks longos são mal escritos por quem responde e desencorajam menções diretas.

O que costuma correr mal

Nicks que descrevem exclusivamente o que se procura — o que se ganha em clareza perde-se em conversa, porque não sobra nada para perguntar. Nicks com caracteres decorativos, difíceis de escrever, que ninguém usa para te mencionar. E nicks que são a tua profissão numa cidade pequena, que identificam melhor do que um nome.

Mudar de nick tem um custo

Se andas há semanas na mesma sala, o teu nick já é reputação: as pessoas sabem que não insistes, que respondes, que estás lá às nove. Mudar apaga isso e recomeça-se do zero.

Se quiseres ficar com um só teu, existe a opção de nick reservado protegido por um PIN de quatro dígitos — sem email nem qualquer outro dado. Serve para ninguém o usar por ti nas horas em que não estás.

Nick e anonimato não são a mesma coisa

Um nick estável dá-te pseudónimo, não anonimato: as pessoas sabem que és a mesma de ontem. Isso é o que permite construir relação, e é uma escolha deliberada, não uma falha. Quem quiser o contrário muda de nick e recomeça — mas então também recomeça a confiança.

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