Portugal continental tem 18 distritos, mais as duas regiões autónomas. Ter uma sala para cada um parece uma decisão banal, mas cria realidades muito diferentes: a área metropolitana de Lisboa concentra perto de um terço da população do país, enquanto distritos inteiros do interior têm menos habitantes do que um bairro da capital.
Duas lógicas opostas
Nas salas de Lisboa e do Porto há gente a qualquer hora. Entra-se, há conversa a decorrer, e quem não gostar do ambiente volta meia hora depois e encontra outras pessoas. O recurso abundante é a quantidade.
Numa sala de Bragança, da Guarda ou de Portalegre, isso não acontece. Pode não estar ninguém às três da tarde e estarem cinco pessoas às dez da noite — as mesmas cinco de ontem. O recurso abundante ali é a regularidade, não o volume.
Quem entra numa sala pequena a meio da tarde, vê o vazio e conclui que não vale a pena, está a aplicar o critério da sala grande a um sítio que funciona ao contrário.
Como se usa uma sala pequena
- Escolhe uma hora e mantém-na. Duas semanas a entrar por volta da mesma hora valem mais do que dez entradas dispersas.
- Escreve mesmo com a sala vazia. Uma mensagem deixada é lida por quem entra a seguir. Numa sala grande passaria despercebida; numa pequena, não.
- Não te apresentes de novo todos os dias. As pessoas lembram-se do nick, e é essa a vantagem.
A distância tem peso diferente conforme o sítio
Em Lisboa, «mesmo distrito» pode significar quarenta minutos de transporte, e há alternativas para o resto da noite. No interior, o distrito seguinte pode ficar a mais de cem quilómetros, e há concelhos sem transporte público noturno nenhum.
Isto muda o que se combina. No litoral urbano, combinar à noite é uma decisão de disponibilidade; no interior, é uma decisão de logística, e é bastante mais frequente combinar-se de dia por essa razão.
O problema de se conhecerem todos
Numa cidade pequena, a probabilidade de a pessoa do outro lado ser conhecida de alguém teu é alta. Isso é a razão pela qual muita gente do interior prefere as salas temáticas ou a sala do distrito vizinho — não por falta de interesse local, mas por prudência.
É também a razão pela qual não se deve pressionar ninguém a dar a localidade exata. Zona ou distrito chega para criar contexto, e insistir para além disso é ignorar um risco que a outra pessoa está a gerir.
Estar em duas salas ao mesmo tempo
O uso mais eficaz não é escolher uma sala: é combinar duas. A do distrito, para proximidade; uma temática — amizades, maduros, ursos — para afinidade.
Quem vive numa zona com pouca gente ganha mais com isto do que ninguém: a temática garante conversa mesmo quando a regional está deserta.
Ilhas e emigração
As salas dos Açores e da Madeira têm uma característica própria: uma parte de quem lá está não está fisicamente na ilha. São pessoas emigradas ou a viver no continente que mantêm ligação à terra. A conversa acaba por ser tanto sobre pertença como sobre proximidade.
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