Uma coisa é procurar alguém mais velho. Outra é procurar alguém da mesma altura — que se lembre das mesmas coisas, que tenha saído do armário no mesmo clima, que já não confunda pressa com entusiasmo. A primeira é uma preferência; a segunda é procurar pares.
Quem tem hoje 45 anos assumiu-se noutro país
Não é figura de estilo. Quem nasceu nos anos oitenta em Portugal cresceu antes de existirem uniões de facto para casais do mesmo sexo, antes do casamento civil igualitário e antes de haver representação em televisão que não fosse caricatura.
Isso deixa marcas práticas: uma geração que aprendeu a ser discreta por necessidade, e que muitas vezes continua discreta por hábito muito depois de deixar de precisar. Quem tem vinte anos hoje não parte do mesmo sítio, e não tem de partir.
Numa conversa entre pessoas da mesma geração, esta parte não precisa de ser explicada. É a diferença que mais se nota.
A pressa desaparece, e isso muda o tom
Aos vinte, uma conversa que não avança em três dias parece tempo perdido. Aos quarenta e tal, três dias não são nada, e a conversa que dura é a que se prefere.
Também muda o que se considera informação relevante. As perguntas passam de «o que procuras» para «como está a correr a semana», e há muito menos interesse em performances.
O isolamento nesta idade é específico
Não é falta de gente à volta: é o grupo ter mudado de forma. Amigos com filhos deixam de estar disponíveis à noite, relações longas acabam e levam o círculo social com elas, e mudanças de cidade por trabalho recomeçam tudo do zero numa altura em que já não há a estrutura da faculdade a fazer o trabalho.
É por isso que muita gente nesta faixa etária procura conversa e não encontro — e é uma procura legítima, que não precisa de ser reformulada como outra coisa.
Onde a geração se encontra
A sala de maduros junta por faixa etária e afinidade; a de amizades junta quem procura conversa sem objetivo de encontro. As duas têm proporções altas desta geração, por razões diferentes.
Uma nota prática: as salas têm horas com perfis diferentes. Ao fim da tarde e início da noite há mais gente desta faixa etária do que às três da manhã. Escolher a hora tem mais efeito do que escolher a sala.
Sobre voltar depois de uma relação longa
Quem sai de uma relação de quinze anos volta a um mundo que mudou de mecanismo. É normal sentir que se está a aprender regras que toda a gente parece já saber.
Uma sala é, nesse aspeto, mais fácil do que uma aplicação: pode-se estar presente sem se ser avaliado, ler antes de participar, e voltar amanhã sem ter perdido nada. Não há perfil para construir nem fotografia para escolher.
Para grupos e atividades comunitárias, incluindo iniciativas dirigidas a pessoas LGBTI+ mais velhas, a ILGA Portugal mantém informação atualizada.
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