Há uma diferença entre declarar que se procura amizade e conseguir mantê-la. A declaração faz-se numa frase; o resto acontece ao longo da conversa, quando alguém começa a puxar para outro lado e a resposta tem de ser dada outra vez.
Um «não» completo não precisa de motivo
A resposta mais eficaz é também a mais curta: «não, obrigado». Sem explicação, sem desculpa, sem justificação.
A tentação é acrescentar um motivo — que se está cansado, que se tem alguém, que hoje não dá. O problema de dar motivo é que transforma a recusa em obstáculo a contornar: se o motivo é hoje, então amanhã; se é ter alguém, então em segredo. Um «não» sem motivo não tem por onde se pegar.
O ritmo marca-se pelo que respondes, não pelo que dizes
Se alguém acelera e tu continuas a responder ao mesmo ritmo, a mensagem que passa é que a aceleração foi aceite, independentemente do que escreveste.
Duas coisas ajudam mais do que qualquer declaração de intenções:
- Não responder ao conteúdo que não te interessa. Responde ao resto da mensagem e deixa essa parte sem resposta. É claro e não obriga a confronto.
- Manter na sala pública. Passar a privado muda o tom por si só. Se a conversa te interessa como está, não há razão para a mudar de sítio.
Sinais de quem não vai aceitar a resposta
Reconhecem-se cedo e poupam tempo:
- voltar ao mesmo assunto depois de já ter sido recusado, mesmo que noutras palavras;
- pedir uma fotografia «só para saber com quem falo», depois de teres dito que não envias;
- tentar negociar — «só uma», «não conto a ninguém», «e se for só conversa?»;
- reagir à recusa com queixa ou culpa, do género «então estás aqui para quê?».
Qualquer destes é motivo suficiente para bloquear. Não é preciso avisar antes nem responder à última mensagem.
Não deves ser simpático a troco de nada
Muita gente aguenta conversas de que já não gosta por achar que sair sem explicação é falta de educação. Não é. Fechar uma janela não deve nada a ninguém, e a pessoa do outro lado não perde nada de concreto com isso.
A cortesia obrigatória é, aliás, o mecanismo através do qual a maior parte das conversas indesejadas se prolonga muito para lá do ponto em que deviam ter acabado.
A sala certa faz metade do trabalho
Numa sala onde toda a gente está a engatar, quem não está tem de explicar-se constantemente. Numa sala de amizades, o pressuposto está invertido à entrada — e insistir depois de ouvir que não há interesse é motivo de aviso e, repetindo-se, de remoção.
Não é uma garantia absoluta: há sempre quem entre a testar. Mas muda quem tem de justificar o quê, e isso é grande parte do problema.
Quando isto passa de incómodo a outra coisa
Insistência repetida, mensagens depois de bloqueio através de outro nick, ameaças de divulgar conversas ou imagens — isto deixa de ser má educação e passa a ser assédio. Denuncia no momento, porque não há histórico para consultar depois. A ILGA Portugal tem linha de apoio para situações de discriminação e violência.
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