Poucas palavras nas salas são tão usadas e tão pouco definidas como esta. Para uns, «maduro» é uma faixa etária. Para outros, é um tipo físico. Para outros ainda, é uma postura — quem já não tem paciência para jogos. A conversa costuma começar mal quando cada lado assume que o outro usa a palavra no mesmo sentido.
Três sentidos que andam misturados
- Idade. O sentido mais literal, e o mais elástico: há quem chame maduro a partir dos 40, há quem só use a partir dos 55.
- Aparência. Grisalho, barba, corpo de homem feito. Nada disto depende da idade de facto, e há quem tenha o aspeto sem ter os anos.
- Atitude. Quem sabe o que quer, diz sem rodeios e não perde tempo. Este sentido não tem idade nenhuma associada.
Vale a pena esclarecer cedo qual dos três está em causa. Uma frase basta, e evita meia hora de conversa em que os dois falam de coisas diferentes.
O erro mais comum de quem procura
É começar pela idade do outro. «Que idade tens?» como primeira mensagem transforma a pessoa num número antes de haver conversa — e a resposta mais frequente é o silêncio.
Funciona melhor dizer o que se procura em vez de perguntar o que o outro é. «Prefiro conversar com quem já passou dos 50, sinto que se perde menos tempo» diz a mesma coisa sem pôr ninguém em posição de ser avaliado.
O erro mais comum de quem é procurado
É assumir que todo o interesse é fetichista. Há de facto quem procure apenas uma categoria e trate a pessoa como tal — isso nota-se depressa e resolve-se com um bloqueio. Mas há muito mais gente a procurar simplesmente alguém da sua fase de vida, ou alguém com quem a conversa não seja sobre coisas que já ficaram para trás.
Partir do princípio de que qualquer aproximação é interesse por um tipo e não por uma pessoa fecha portas que valia a pena manter abertas.
Assuntos que funcionam e assuntos que não
Funcionam os que pressupõem tempo vivido: mudanças de carreira, ter voltado a viver sozinho, um filho adulto, uma cidade onde se morou anos. São coisas que dão conversa longa porque têm história dentro.
Não funcionam as perguntas de triagem em série — idade, zona, altura, ativo ou passivo — que soam a formulário e produzem respostas de uma palavra.
Uma parte da sala não anda à procura de encontro
Nesta faixa etária há uma proporção maior de gente que já teve relações longas, que está numa relação, ou que simplesmente prefere conversar. Isso não é resistência disfarçada nem desinteresse: é o que a pessoa foi lá fazer.
Aceitar isso à primeira poupa tempo aos dois. Quem quer encontro encontra quem também quer, e insistir com quem já disse que não é o caminho mais rápido para ser bloqueado.
Onde estas conversas acontecem
A sala de maduros junta por afinidade e não por região, o que significa que se fala com gente de todo o país. Quem procura combinar presencialmente costuma alternar com a sala do seu distrito, onde a proximidade é o critério.
Para apoio, grupos e atividades da comunidade em Portugal, incluindo iniciativas dirigidas a pessoas LGBTI+ mais velhas, a ILGA Portugal mantém informação atualizada.
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