«Anónimo» é das palavras mais usadas e menos definidas na Internet. Muitas plataformas chamam anónimo a esconder o teu nome dos outros utilizadores, enquanto guardam tudo do lado delas. São coisas diferentes e convém saber qual é qual antes de decidir o que se escreve.

Anónimo e pseudónimo não são sinónimos

Estás pseudónimo quando usas um nome que não é o teu mas que te acompanha: se voltares amanhã com o mesmo nick, as pessoas sabem que és a mesma pessoa. Ganhas reputação e memória, e perdes a possibilidade de recomeçar.

Estás anónimo quando não há forma de ligar o que fazes hoje ao que fizeste ontem. Ninguém constrói uma imagem de ti, e tu também não constróis nenhuma.

A maioria das pessoas quer, na verdade, as duas coisas em momentos diferentes: pseudónimo dentro da conversa, anónimo em relação ao resto da vida. São compatíveis, mas só se a plataforma não pedir dados que liguem uma coisa à outra.

O que um chat sem registo não pode saber

Sem conta, não há email, número de telefone, nome, data de nascimento nem fotografia obrigatória. Também não há histórico de conversas guardado, e não há forma fiável de saber que a pessoa de hoje é a mesma de ontem.

Isto tem uma implicação que quase nunca se diz: sem conta, não existe pedido de eliminação de dados a fazer, porque não existe conjunto de dados associado a ti para eliminar. Fechar a janela é o equivalente funcional.

O que fica, e porquê

Duas coisas ficam, e não é possível que não fiquem.

A primeira é o endereço IP, no registo do servidor. É o que permite impedir que alguém banido volte a entrar cinco minutos depois. Uma plataforma que não retivesse nada não teria moderação nenhuma — os banimentos seriam decorativos.

A segunda são as mensagens enquanto a sala está aberta: existem para serem lidas por quem lá está. Não são arquivadas depois, e é por isso que uma denúncia tem de ser feita no momento. Se saíres e voltares no dia seguinte, não há registo para a moderação consultar.

O anonimato acaba onde tu decidires

A parte que nenhuma plataforma controla é a que mais gente expõe. O anonimato técnico não protege de:

  • enviar uma fotografia com a cara, ou com um pormenor reconhecível ao fundo;
  • usar o mesmo nick que se usa noutro sítio associado ao nome verdadeiro;
  • dar detalhes que, somados, identificam uma pessoa — profissão, rua, carro, horário;
  • passar para uma aplicação de mensagens que mostra o número de telefone.

Este último é o mais comum e o mais subestimado: a conversa começa anónima e passa a identificada no momento em que se troca de plataforma.

Uma promessa que ninguém pode fazer

Nenhuma plataforma pode garantir que a pessoa do outro lado não tira uma captura de ecrã. O que se escreve num privado pode ser guardado por quem o lê, e não há definição de privacidade que impeça isso. É a razão pela qual a regra mais útil não é técnica: não escrevas nada que te incomodasse ver fora do chat.

Para quem quer aprofundar direitos e proteção de dados pessoais, a Comissão Nacional de Proteção de Dados publica informação sobre os direitos que assistem a qualquer utilizador em Portugal.

Sobre o funcionamento sem conta, ver chat gay sem registo e a sala anónimo.

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